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Conciliação no TST encerra disputa sobre honorários de advogados do BNDES

  29/9/2026 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), suas subsidiárias BNDES Participações (BNDESPAR) e Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame) e a Federação Nacional dos Advogados (Fenadv) assinaram nesta terça-feira (29) um acordo coletivo de trabalho (ACT) que encerra uma disputa relacionada ao pagamento e ao rateio de honorários sucumbenciais devidos aos advogados empregados do Sistema BNDES. A controvérsia se estendia desde 2003. O acordo foi construído ao longo de um ano e sete meses de negociações, com reuniões bilaterais e sucessivas versões do texto, no âmbito de mediação conduzida pela Vice-Presidência do Tribunal Superior do Trabalho (TST), sob a coordenação do ministro Caputo Bastos. A conciliação também contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), representado pelo subprocurador-geral do Trabalho Luiz da Silva Flores, e dos juízes auxiliares da Vice-Presidência Roberta de Mello Carvalho e Flávio Luiz da Costa. Na cerimônia de assinatura, o ministro Caputo Bastos destacou que o caso é um exemplo da importância da conciliação e da mediação para a solução de conflitos. “Não foi o Estado que impôs a sua vontade, através de uma decisão judicial”, afirmou. “O documento foi construído pelas partes, através de concessões recíprocas.” Valores referentes a 20 anos Uma das principais medidas previstas no acordo é o pagamento dos honorários sucumbenciais do período de 2003 a 2023 abrangidos pela ação coletiva que tramita na Justiça do Trabalho. O pagamento deverá ocorrer em até 30 dias após a homologação do ACT pelo TST. O acordo estabelece ainda regras para a arrecadação e o rateio dos honorários sucumbenciais a partir de 2026. O limite anual será de R$ 21 mil por advogado, atualizado pelo IPCA ou outro índice que venha a substituí-lo. O documento também prevê a continuidade das regras de arrecadação e distribuição dos honorários nos próximos exercícios, com acompanhamento da Comissão do Fundo Comum e fiscalização da Fenadv. Conciliação Na avaliação do ministro Caputo Bastos, o resultado demonstra que a conciliação pode solucionar conflitos que permanecem durante anos no Judiciário. “Um caso desses, quase insolúvel, se arrasta há mais de duas décadas, e hoje podemos celebrar este acordo coletivo de trabalho.” O ministro ressaltou que o processo de negociação não foi rápido e que a construção do acordo exigiu tempo, diálogo e disposição das partes para fazer concessões. A presidente da Fenadv, Sarah Hakim, também destacou que a negociação encerra uma discussão que se prolongava havia mais de 20 anos e ressaltou o papel da Justiça do Trabalho na construção do acordo. “Esse acordo coletivo de trabalho é o fortalecimento da negociação coletiva, da classe, e também o reconhecimento e a credibilidade da Justiça do Trabalho”, ressaltou. “Ele não teria sido realizado se não fosse a confiança que a classe e a Federação Nacional dos Advogados têm na Justiça do Trabalho e no núcleo de conciliação do TST.” O diretor jurídico do BNDES, Walter Baere, ressaltou o caráter consensual da solução. Para ele, o acordo evita que uma disputa envolvendo os próprios advogados responsáveis pela defesa judicial do banco gere novos conflitos. “Não se eliminou só uma ação coletiva; eliminou-se a possibilidade de termos um litígio dos advogados do BNDES contra o próprio banco”, afirmou. Baere também destacou que o acordo estabelece regras para o pagamento dos honorários e contribui para dar maior previsibilidade à relação entre o banco e seus advogados. (Flávia Félix/CF. Foto: Bárbara Cabral/TST)
29/09/2026 (00:00)
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